quarta-feira, 28 de outubro de 2015

[As Leituras da Mila - Editora Geração] Vandré - Jorge F. dos Santos

Livro Vandré – O Homem Que Disse Não – Santos, Jorge Fernando Dos – ISBN: 8581303153



Sinopse: Quem foi Geraldo Vandré? Por que ele se tornou amado pelo público e odiado pelos militares na ditadura? Por que sua canção se tornou um hino - Para não dizer que não falei das flores – Caminhando - jamais esquecida durante décadas? O que aconteceu com ele no exílio e depois que retornou ao Brasil? Gênio? Louco, por causa das torturas?
Nesta biografia emocionante, crucial e NÃO AUTORIZADA, Jorge Fernando dos Santos conta a história da vida e da obra deste artista que se tornou ícone da canção brasileira no auge dos "anos de chumbo", mas acabou se afastando dos palcos, para a perplexidade dos fãs.


Quem por mais novo que seja já não escutou os versos "Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer".

Essa música, ou melhor esse hino contra a ditadura, foi o meio que Geraldo Pedrosa de Araújo Dias, mais conhecido como Geraldo Vandré, externou todo seu sentimento naquele momento em que o Brasil estava passando.



Primeiro filho de um médico e uma dona de casa que se dedicava ao piano, Geraldo nasceu na Paraiba em 1935 e em 1952 muda para o Rio de Janeiro onde começa sua vida musical. Aos 16 anos se inscreve como calouro no programa Cesar de Alencar, apresentava aos sabados sob o nome de Carlos Dias.

Em sua primeira apresentação ele canta Sinceridad de Rafael Gaston Pérez.



Mas mesmo esforçando-se ele é eliminado. Em uma segunda apresentação é considerado medíocre.

Mesmo assim não desistiu. Frequentador assíduo da Boate Tudo Azul, onde o pianista era nada mais nada menos que Tom Jobim, ele conhece Carlos Lyra que foi seu primeiro parceiro musical na canção Aruanda.


Depois ainda Carlos Dias, Vandré conhece Ataíde Costa com que escreve duas musicas: Canção do breve amor e Canção do amor sem fim.

Depois de se formar em direito pela universidade que atualmente é a UERJ, Geraldo pendurou o diplona no pescoço da mãe e foi viver sua vida de cantor.

A partir daí... só lendo o livro.

Simplesmente espetacular!

Leitura simples, me senti como se tivesse em uma roda de amigos falando sobre história, política e música.

A cada fato da vida de Vandré, o autor contextualiza historicamente e nos transporta para a parte da história do Brasil que devemos ter vergonha pela violência mas orgulho pela produção musical.

Entre as página 96 e 97 existem 32 páginas de papel brilhoso de fundo cinza com imagens pessoais, dos diplomas, capas de revistas, reportagens, a partitura de Para não dizer que não falei das flores, Livros, dissertações e claro capas de LPs, dos diversos interpretes de suas músicas.

Você sabia que a música Disparada foi escrita por Vandré?



Em 1968, no 3 FIC (Festival Internacional da Canção) em um Maracanazinho que oficialmente cabiam 14 mil pessoas mas que naquele dia havia mais de 30 mil Geraldo Vandré chegou ao auge de sua carreira como cantor. Mesmo tirando segundo lugar no festival, perdendo para Sabiá de Tom Jobim, Geraldo foi aclamado. Ao interpretar o primeiro lugar Cynara e Cybele foram tão vaiadas que na gravação que se tem da época é quase impossível escutar a voz delas.


Ao final temos uma lista de músicas ineditas e gravadas, a discografia, lista de entrevistados e fontes de consulta.

O livro é um presente para os amantes da boa música e os de história. Aqui temos uma aula, que tantos que pedem a volta da ditadura militar deveriam ter.

Super recomendado, é possível dar mais de 5 estrelinhas?

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