sábado, 25 de abril de 2015

[4 Cantos - Arca Literária] O labratuz e outras desventuras – Judith Nogueira




Sinopse: Se a intenção ao ler O labatruz e outras desventuras é a de apreciar fábulas que tenham o que chamamos comumente de “finais felizes”, esqueça.




Este livro contém uma trilogia de contos que falam de temas tão indigestos quanto frequentes na existência humana: “O labatruz” (solidão), “O construtor de navios” (frustração) e “O homem que fazia luz” (morte).

Os personagens são exaustivamente testados em seus específicos infortúnios. É neste exato ponto que as histórias tocam o real e provocam identificação, afinal, não é sempre que aparecem fadas com suas varinhas mágicas para nos valer.

***

Me conta uma coisa, qual o objetivo seu quando senta para ler um livro? Você sempre aguarda finais felizes melosos, açucarados?

Se a resposta foi sim esse livro não é para você!

Quando me interessei por ler esse livro me foi passado que ele era juvenil.

Após ler eu tenho que fazer uma ressalva… esse livro faz até mesmo alguns adultos tremer nas bases.

Vivemos em uma sociedade em que alguns assuntos ainda, em 2015 são tabus.

Solidão, frustração e morte quase não estão nos vocabulários dos jovens brasileiros e isso, no meu ver, erroneamente.

Ao tratar desses assuntos no seu livro Judith tende a abrir a mente do jovem, fazendo com que ele procure saber mais sobre e evite, no caso da solidão e frustração, a cometer os mesmos erros dos personagens.

São três histórias.

A primeira é o Labatruz. Nome dado ao livro, conta a história de um ser que é encontrado por lobos e criado como filho por eles. Fez-me lembrar muito da história dos bebês que criados por uma loba fundaram mais tarde a cidade de Roma, Rômulo e Remo.

Ao longo da leitura percebi que Labatruz não tem nada a ver com a lindinha história dos irmãozinhos romanos.

Como qualquer adolescente nesta fase da vida, o ser não fica contente com sua vida, pois se sentia um patinho feio na alcatéia. As lobas não o sentiam atraente deixando o pobre muito triste. Assim, como na impulsividade de todo ser nesta idade ele foge de sua realidade e ganha o mundo.

Aqui começa a história de solidão do pobre ser que nem sabia qual era sua raça, sua espécie. A única coisa que sabia é que lobo não era e que era mamífero.

Ele passa por alguns questionamentos nesta viagem a procura de um outro ser como ele, encontra alguns animais pelo caminho e … bem, não posso ficar contando tudo aqui.

Confesso que eu fiquei tão fascinada pela história que acredito que ela merecia uma continuação, um livro somente para esse personagem especial. Mas ao mesmo tempo eu achei a história um pouco pesada, talvez não recomendaria para menores de 15 anos, pois os pequenos não poderiam saber lidar com a carga emocional do texto.

A segunda história é do Construtor de Navios. Linda, ao mesmo tempo triste.

Como lidar com as frustrações da vida?

Uma pessoa que nasce com um dom, vive em função dele, faz dinheiro por sua habilidade com esse dom, mas ainda lhe falta algo.

O construtor de navios era um menino quando recebeu esse apelido. Sempre fascinado com o que fazia queria sempre saber mais e mais. Quando adolescente se apaixonou e sua namorada não se importava sendo a segunda paixão do moço.

Vieram os filhos, o construtor estava feliz, passaria todo o seu conhecimento aos filhos, mas os interesses desses eram outros, outra realidade, outra vida, agora o construtor era rico, sua família não precisava mais de se esforçar, os filhos não tinham interesse em saber o oficio do pai.

Faltava alguma coisa, o construtor ficou triste, o vazio em seu peito cada vez maior.

Um dia ele descobriu, faria o navio perfeito com o motor perfeito.

Aqui, neste momento, Judith nos transporta para o mundo da frustração.

De como um vazio no peito e uma obsessão pode nos transformar em outra pessoa.

Esse texto é mais tranquilo de ser lido por crianças a partir de 9, 10 anos, a carga emocional dele não é tão pesada como o do primeiro texto.

A terceira e última história era do Homem que fazia a luz.

Um garoto fazia, literalmente, a luz.

As vezes ele estava muito animado, a luz era mais forte e quando, ao longo do dia, se cansava, a luz ia diminuindo de intensidade até ficar tudo escuro.

Era assim todos os dias.

Um dia esse menino, já adolescente, se apaixonou.

Ele ficou tão feliz que sua luz ficou quente, limpa, linda. As flores ficaram felizes com toda aquela luz, ficando mais coloridas. As pessoas da cidadezinha estavam adorando toda aquela beleza. Deram a aquele momento o nome da namorada do menino, Primavera.

Com o tempo o namoro ficou mais sério e eles, o menino e Primavera, começaram a namorar, digamos mais intensamente.

Seus corpos entrelaçados faziam com que o menino fizesse mais luz, um calor descomunal tomou conta daquela cidadezinha, as pessoas começaram a usar roupas mais comportáveis. Havia horas que o calor era tão forte que não se conseguia sair na rua.

A esse momento deram o nome de verão.

Só que como toda paixão uma hora o “fogo” acaba e Primavera deixou o menino.

A partir daí a autora lida, de maneira muito inteligente com a solidão, frustração e morte.

A morte do amor, a morte de uma paixão e também a morte física do homem que fazia luz.

Eu sinceramente achei primorosa a maneira em que ela fez a analogia de fases de uma vida sentimental com as estações do ano.

Acredito que todos deveriam ler esse texto, pois nos faz pensar na vida sentimental e na maneira que podemos lidar com alguns problemas.

Super indicado para maiores de 15 anos e com algumas ressalvas para menores desta idade.

10 comentários:

  1. Acho que esse livro não faz o meu estilo e eu não iria me sentir bem com essa leitura
    Mas gostei bastante da sua resenha
    Já estou seguindo ;)

    Beijos
    http://pocketlibro.blogspot.com.br

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  2. Olá!

    Eu não conhecia esse livro, mas eu achei bem interessante a sua resenha. Essa comparação homem/sentimento e estação do ano, acho que nunca vi nada disso.
    Gostei do que foi dito, não sei se leria no momento, mas não descarto,

    Ps: Não me leve a mal, mas se possivel mude a cor do texto, esse branco atrapalha a leitura :(


    Beijinhos,
    www.entrechocolatesemusicas.com

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  3. Oi, Dani! Tudo bem? Achei a capa do livro muito bonita e a premissa do dele bem bacana. Adoro contos então acho que ia curtir esse livro. Parabéns pela resenha! :)

    Abraço

    http://tonylucasblog.blogspot.com.br/

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  4. Oi Dani! Esses temas continuam sendo tabus até mesmo nos dias de hoje. Porém, se trabalhados bem, eles podem render muito boas histórias. Fiquei curiosa para ler esses contos.

    Beijos,
    Fernanda
    www.oprazerdaliteratura.com.br

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  5. Ah, então esse livro não é pra mim. Ou pelo menos não pra maioria dos dias.
    Normalmente eu leio pra me distrair, pra fugir da realidade, pra encontrar coisas boas em meio ao caos. De vez em quando gosto de um livro mais denso, mas não é sempre. Tendo uma carga tão pesada, não sei se gostaria de ler pra terminar a leitura cabisbaixa.
    Beijinhos!
    Giulia - www.prazermechamolivro.com

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  6. Não curto muito contos e sim, normalmente aguardo finais felizes e fico frustrada quando não os encontro, então vou acreditar em você quando diz que esse livro não é para mim. A carga emocional não seria problema para mim, mas os desfechos das histórias provavelmente sim.

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  7. Não conhecia este livro, achei muito interessante. Não sou muito fã de finais felizes de novela das oito, gosto de livros assim. Anotei a dica. Bjs

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  8. Oi Dani,
    Eu não conhecia esse livro, mas pela sua resenha achei a premissa bem interessante. Fico curiosa para conhecer o desenrolar de cada uma das histórias.
    Dica anotada. ;)

    Beijos ♥
    Livros e blablablá

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  9. Oi Dani, tudo bem? Eu não conhecia o livro, mas achei os contos geniais, todos eles... a autora soube tratar de assuntos que são esquecidos na nossa sociedade, quem não querem falar e dar toda uma beleza a eles. Acho que os contos são bem originais e adorei esse último, essa comparação dos sentimentos do personagem com as estações do ano. Com certeza é um livro que tenho vontade de ler, mas os contos devem ser bem curtos, e isso é meio ruim, pois com certeza vou ficar querendo mais.

    Beijinhos,

    Rafaella Lima // Vamos Falar de Livros?

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  10. Olá... tudo bem??
    Bom é complicado um livro intitulado como juvenil e ter uma carga maior. Eu gosto de livros que mexem com o meu emocional e que mesmo sendo pesado me traga uma mensagem... mas é complicado quando ele é virado para os nossos adolescente que já são intensos por natureza né... eu achei a premissa interessante.... xero!

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