quarta-feira, 18 de março de 2015

A Princesa Lumbriga e o Príncipe Gordinho - A viagem de ida

Era o primeiro dia de inverno, fazia muito frio, o vento batia forte na janela do meu quarto quando meus pais vieram até mim com a notícia:

- Bom dia querida Anita – disse minha mãe abrindo as cortinas de minha janela.



- Bom dia mamãe, bom dia papai – mal deu para entender o que eu havia dito, pois entre uma palavra e outra um bocejo travava minha respiração e minha voz – tão cedo, aonde vamos?

- Estamos nos preparando para encontrar seus tios e primos. Há muito não encontro meu irmão, gostaria muito de lhe apresentar a ele e a seus dois filhos, sua prima Lumbriga e seu primo Gordinho. – disse meu pai em um sorriso lindo de se ver.

Lumbriga? Gordinho? Isso lá é nome de gente! Pensei com os meus botões enquanto abotoava o vestido rosa de babados brancos que minha mãe havia separado para mim.

- Se apresse Anita não queremos nos atrasar. A viagem é longa, levaremos alguns dias e ainda temos que nos alimentar antes de sair. – disse minha mãe em tom mais bravo ao mesmo tempo em que ordenava minha babá que arrumasse meus pertences – Joana, ponha um pouco de tudo, não sabemos quanto tempo ficaremos lá. O verão é rigoroso e por se tratar de um local montanhoso o inverno também é.

Eu não contei, mas moramos perto do mar. Nos muros do nosso castelo as ondas batem com violência, não sei como ele foi construído, a impressão que dá é que ele flutua na água.

Nosso desjejum não foi muito luxuoso, mas farto, pão, geléia, leite, chá, ovos mexidos, os meus preferidos, foram suficientes.

- Comi para um mês. – murmurei para minha mãe escorregando da cadeira.

- Olha os modos menina, mais parece um moleque que uma dama. – Olhos apertados, palavras entre os dentes, é, minha mãe estava brava!

A carruagem estava a nossa espera a frente da grande porta. Seu formato lembrava um ovo, um grande ovo com portas laterais e rodas embaixo.

Eu adorava andar de carruagem, sempre chacoalhando, parecia que meus pensamentos embaralhavam dentro da minha cabeça.

A cada tranco minha mãe soltava um grito e eu uma gargalhada, meu pai não agüentava e ria também, eu sei, isso a deixava brava, mas depois ela não agüentava e desabava em risadas.

A viagem foi longa, cansativa, dois dias inteiros em estradas estreitas, subindo e descendo, para um lado e para o outro, parecia uma eternidade.

Ao fim do primeiro dia paramos para descansar. Fizemos um acampamento. Os ajudantes de meu pai estenderam uma grande lona de tecido grosso entre duas árvores e a ergueram prendendo nas árvores com grossas cordas.

Embaixo outra lona, agora no chão, algumas almofadas e pronto, sem muito luxo peguei minha manta, me enrolei e deitei junto aos meus pais. Pouco a pouco todos foram deitando, só ficando um soldado de guarda ao lado da fogueira de gravetos que nos aquecia e iluminava a noite escura.

A noite passou rápido, mal fechei os olhos e já fui acordada com as sacudidelas de minha mãe:

- Vamos Anita, ainda temos mais um dia.

- Está bem mamãe, já estou indo, ainda estou com sono, parece que nem dormi.

- Já estamos na segunda hora, todos já se alimentaram está faltando somente você, se apresse.

Levantei-me, levei meu rosto, me recompus, como mamãe costuma dizer, e fui me alimentar. Comi pouco, pois depois de ter comido bastante no dia anterior e logo andado na carruagem senti meu estômago revirar.

A viagem continuou, horas e horas, subindo mais que descendo, e novamente para um lado e para o outro.

De repente o ar começou a ficar mais frio, uma fina neblina cobriu nossos olhares, era como se tivéssemos entrado em uma nuvem.

- Estamos chegando, lá está! – gritou meu pai eufórico, mas com os queixos batendo de frio. – dê-me meu casaco, acho que vou congelar.



A vista era linda, depois da árvore mais alta da montanha mais alta estava o muro, nossa e como era alto. Tão alto que só se via as torres do castelo, nada mais que isso.

8 comentários:

  1. Oi, tudo bom?

    Achei linda a narrativa, um conto infantil, narrado em primeira pessoa pela criança e é de época, muito original!! gostei do modo como a história de desenrola, é uma leitura que "massageia" os olhos, espero as continuações

    Gustavo http://realityofbooks.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Difícil hoje achar contos infantis, esta de parabéns

    http://palavrasdelucidez.com.br/

    ResponderExcluir
  3. Achei muito original e concordo com o comentario de cima..dificil contos infantis, ao menos nao vejo muitos. adorei

    ResponderExcluir
  4. eu gosto de contos infantis, mas confesso que apesar desse ser bem escrito não me tocou muito.
    Seguindo o Coelho Branco

    ResponderExcluir
  5. Oi Dani, tudo bem?
    Você que escreveu este texto? Vai ter continuação? Estou curiosa pra saber como vai ser a reação dela ao encontrar os primos Lumbriga e Gordinho =)

    Beijos,
    Fernanda
    http://oprazerdaliteratura.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  6. Oi, tudo bem?
    Nossa, ameeeei esse texto! Fiquei super curiosa pra saber o que vai acontecer nesse lugar e como é lá!
    Você escreve muito bem, parabéns!
    Beijos
    www.romanceseleituras.com

    ResponderExcluir
  7. Oi Dani! Que legal você escrever esse tipo de conto, quase não o encontramos por aí. Eu mesmo adoro enredos infantis, vocês está de parabéns ;D
    Vai ter continuação???

    xoxo
    http://www.amigadaleitora.com/

    ResponderExcluir
  8. Olá! Você escreve super bem, parabéns! Mesmo sendo um conto infantil, fiquei morrendo de curiosidade para saber o final da história e sua moral haha Amo contos de fada e só o título do seu chama muito a atenção ;) Beijos!!!

    ResponderExcluir