quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Gente Grande - Rio 2054




Já se passaram uns dias desde que terminei de ler o livro. Engraçado que quando eu acabei não sabia como escreveria a resenha. Esperei a poeira abaixar, estava empolgadíssima com a história.

Identifiquei-me muito com tudo que foi escrito, apesar de não conhecer um ou outro lugar citado no livro eu já ouvi falar sobre, então não me era completamente desconhecido.

O que eu senti realmente quando acabei de ler o livro? Um sentimento de “porque não sou roteirista de cinema neste exato momento para eu roteirizar esse livro”, não sei se é fácil assim, mas foi o que senti: ESSE LIVRO DÁ UM FILME!



Alguns dias depois de ler eu entrei em contato com o autor para fazer algumas perguntas que estarão na entrevista no final do post.

O livro se passa num Rio de Janeiro destruído por uma guerra civil. A guerra começou na década de 2020 quando foi encontrado um grande poço de pré-sal no litoral do Rio de Janeiro e os estados vizinhos entraram com o pedido de divisão dos royalties desse poço. A população da cidade se revoltou. As forças de seguranças nacionais e da OTAN foram muito rígidas na retaliação e acabou bombardeando a cidade.

A cidade sitiada foi dividida em duas (separadas pelo Túnel Rebolsas) o lado rico, revitalizado, com muitos prédios e ilhas artificiais era o Rio Alfa (conhecido como Luzes), pela descrição do autor é fácil comparar com imagens de Times Square em Nova Iorque. O lado pobre, destruído consistia no Centro e zona Norte da cidade era o Rio Beta (conhecido como Escombros), também pela descrição do autor é fácil comparar a alguma cena de algum local atingido por tremores, como o Haiti.

A história é sobre Miguel, um rapaz de que ao longo do livro só faz uma coisa, você se apaixonar por ele (risos).

Agora falando sério... Miguel é um rapaz sério que é ainda apaixonado pela ex-namorada mesmo que não explicitamente colocado, mas claramente percebido. Tem seus princípios de não se meter com drogas e bandidos muito rígidos, mas ao longo da história um desses princípios é colocado de lado.

A ex-namorada, Nina, uma garota que me pareceu muito bonita, mas muito destruidinha pela droga e obsessão de sair dos Escombros e ir para as Luzes.

Outro personagem muito interessante é Nicolas, um negro franzino que não concluiu o curso de medicina, mas por conta do pai ter sido médico tem habilidades cirúrgicas e ganha dinheiro com implantes, conseguidos por Miguel no centro da cidade. Detalhe aqui a ser revelado; o centro da cidade é mostrado como um local radioativo, por conta de uma lenda de uma bomba que a OTAN explodiu no local. Proibindo a circulação de pessoas lá, mas Miguel nunca se importou com isso e sempre que podia fazia passeios no centro.

Mais adiante no livro conhecemos Anderson, amigo de infância de Miguel que entrou para o mundo das gangues. Ele é líder da gangue dos Engenheiros, um grupo de motoqueiros que brigam com rivais em competições na Praça da Bandeira.

Outros motoqueiros são muito importantes na história Juan e Fred, cada um desses líderes de uma gangue, mesmo não tendo uma idade muito avançada, me lembra muito o pai de um amigo. Engraçado que só conseguia visualizá-lo neste papel. (risos)

Bem, personagens apresentados, vamos à parte do livro de tirar o fôlego. Por um motivo que não vou contar, os líderes das três gangues, Nicholas e Miguel se unem. A partir daí o livro tem ares de filmes de Bruce Willians.

Emocionante e com cenas de tirar o fôlego. Cenas sim, o livro é especialmente separado por capítulos, mas esses são divididos em algumas cenas.

Só uma coisa não gostei, CADÊ A CONTINUAÇÃO DO LIVRO? (risos)

Estou esperando roendo unhas pela sequencia, espero que o Jorge Lourenço tenha pena dos meus dedinhos, (gargalhada)

Se você gosta de uma boa ação vai adorar o livro.

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Entrevista!!!



1 - Acredito que você já tenha respondido muitas vezes essa pergunta mas de onde surgiu a ideia do livro?


Algumas vezes, rs. Mas vamos lá. Rio 2054 nasceu de várias inspirações, mas duas se destacam: a vontade de contar uma história distópica bem escrita e cheia de reviravoltas em solo nacional e o desejo de fazer tudo isso com um pano de fundo de crítica social. No mundo de Rio 2054, os pobres e os ricos são separados completamente por uma muralha que divide a cidade em duas. No Rio de Janeiro de hoje, essa muralha não existe fisicamente, mas está presente em toda a cidade. Hoje é possível você ter uma pessoa morrendo por falta de acesso a tratamentos médicos básicos a poucos quilômetros de distância de um condomínio de luxo. E, assim como no livro, tratamos essa muralha invisível de maneira normal. O objetivo de Rio 2054 é entreter e contar uma história cheia de mistérios, mas também mostrar como a pobreza é ainda mais chocante e perturbadora do que imaginamos. 

2 - O personagem Miguel, é baseado em alguém que vc conhece? Os outros personagens são pessoas conhecidas, ou baseadas nelas ou são fictícias? 

Juntei as duas perguntas porque acho que elas têm tudo a ver uma com a outra. O Miguel é um pouco baseado em mim. Eu nasci e cresci nos Escombros do Rio de Janeiro de verdade, em uma favela da Zona Norte. Por meio dele, eu quis mostrar um pouco como é crescer em um lugar pobre onde o apelo do crime é sempre muito forte e a vida vale muito menos do que nos outros lugares. Sobre os outros personagens, eles variam de um para outro. Alguns são criados a partir de pessoas que eu conheço, outros contêm muito de mim e tem aqueles que são baseados em outros que eu gosto muito. É engraçado como essas coisas todas se misturam dentro de um enredo. Em certo momento do livro conta-se a história do pai do motoqueiro Juan, por exemplo. Boa parte daquela história é o que aconteceu na própria morte do meu pai. Em outros momentos, faço referências sutis a algumas obras que eu gosto. É muito gostoso harmonizar essas coisas dentro de uma história. 

3 - Uma coisa que me intrigou muito, porque a Praça da Bandeira? 

A Praça da Bandeira e o Garage têm grandes razões para estar na história. Nos anos 90 e até certo ponto dos anos 2000, o Garage e a Praça da Bandeira eram o principal point do rock no Rio de Janeiro. Novas bandas, grandes festas, motoqueiros – tudo acontecia lá. Infelizmente, esse lugar sagrado para o rock carioca morreu lentamente e hoje praticamente não existe. Em Rio 2054, eu quis prestar um tributo àquele mundo, do qual eu participei um pouco na época. Até a ideia das gangues de motoqueiros vem de lá. Olha só no link do Google Street View: http://goo.gl/wZebe1 

4 - A banda de Niteroi que faz um show, citado no livro, ela existe? 

Mais ou menos, rs. Um amigo meu estava querendo criar uma banda e não conseguia arranjar um nome. Na época, eu sugeri o nome SeekingU e ele gostou bastante, mas o projeto acabou não indo adiante. Foi só uma referência a isso mesmo. 

5 - As influencias musicais de Miguel são as suas? 

Com certeza. Tanto as literárias – como quando ele procura um livro de Gabriel Garcia Marquez – quando o gosto pelo jazz e algumas músicas clássicas são meus também. 

6 - Há alguma possibilidade de uma continuação o livro? 

É que eu, sinceramente, quando acabei de ler não consegui dormir pois fiquei pensando e muito no livro e uma possível continuação. Minha ideia com Rio 2054 era justamente deixar os leitores com essa sensação. Um final completamente fechado encerra a história por ali, mas eu queria deixar as pessoas imaginando o que pode ter acontecido com os personagens. Será que os protagonistas realmente ficaram juntos? Será que as promessas firmadas realmente foram cumpridas? A história de Miguel, Alice e Angra acabou por ali, mas eu gostei muito de deixar as pessoas com essa sensação de “quero mais” no final. Eu definitivamente tenho planos para outros livros no mesmo universo, mas por enquanto não estou focando neles. Estou trabalho em um livro de fantasia urbana que se passa em um Rio de Janeiro habitado por vampiros, anjos caídos e magos. A pegada é bastante Rio 2054 e envolve uma grande disputa de poder, mas por enquanto estou segurando um pouco isso para mostrar ao público quando tiver algo mais concreto. 

7 - Você já pensou em enviar o seu livro para algum estúdio de cinema? Para algum roteirista? 

Essa é uma pergunta que todo mundo faz, rs. Até hoje, não tive essa oportunidade. Mas sempre que as pessoas terminam de ler Rio 2054, elas dizem que o enredo tem uma pegada muito cinematográfica. Quem sabe um dia, haha.

11 comentários:

  1. Oi,

    Acho que vou querer ler esse livro, parece muito com uma distopia né? Ah eu quero, gostei de sua resenha, não consigo imaginar o Rio de Janeiro dividido dessa forma, amei suas fotos na praia lendo o livro, quem dera eu pudesse ler um livro assim, aqui em casa preciso entrar no meu quarto, colocar a fronha nos meus ouvidos e tentar ler, gostei muito da entrevista, espero que tenha continuação.

    Mayla

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  2. Oiee =)
    não conhecia o livro, mas estou contente aqui em sabe que ele te pegou de jeito, eu amo ser surpreendida dessa forma, como fui recentemente, espero ter a oportunidade de ler.
    Beliscões da Máh ♥
    Cantinho da Máh

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  3. Eu amei muito esse livro!! Achei uma distopia perfeita, acho que nunca vi outra com uma história tão plausível... tudo a ver o pré-sal ter sido o estopim da coisa, né? Realmente daria um filme muito bom, e as personagens são maravilhosas!

    Amei sua entrevista com o Jorge. Gostei de saber que tem tanto dele e de outras pessoas que ele conheceu no livro, com certeza isso ajudou a gente a se apaixonar pela história. É tudo muito real.

    E não sabia que o autor estava trabalhando em um livro de fantasia urbana! Outro gênero que amo, com certeza vou querer ler correndo quando ele publicar!

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  4. Oie!

    Eu preciso ler este livro, eu estou em um momento de muitas leituras nacionais e com certeza tenho que ler este. Ser morador do RJ, me deixou ainda mais curioso, porque é uma forma de ver o Rio daqui a 40 anos. O que seria muito engraçado, porque conheço o estado e seria estranho ver ele depois de uma guerra civil.

    O tema dos royalties é muito atual, tinha gente falando que iria cair até no Enem de 2014. E se acontecer de verdade, tem uma grande possibilidade, e eu espero que não aconteça (tá, agora boiei demais). Com toda certeza adoraria o livro, e quero ler, abraços!

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  5. Oi Dani,
    tudo bem?
    Não conhecia esse livro e fiquei encantada com a entrevista do autor. Adoro entrevistas!!! Gostei da crítica social feita no livro, gostei do fato de ele ter escolhido o Rio, provando que é possível escrever histórias de sucesso, falando sobre a nossa realidade. Desejo muito sucesso para ele e que venham outras histórias.
    Beijinhos.
    cila-leitora voraz
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  6. Dani, isso é uma coisa que acontece comigo com frequencia: como escrever a resenha, independente de gostar ou não da leitura rsrsrsr, ultimamente ando sem criatividade.
    Eu sinto uma verdadeira sensação de impotência quando leio um livro e vejo que ali daria um ótimo filme, fico doida pensando que eu poderia pelo menos conhecer alguém a quem eu pudesse dar a sugestão rsrsrs.
    Adorei logo de cara ver que assuntos atuais são colocados nessa história: pré-sal, royalties, população revoltada. Super inovadora a ideia do autor, esse livro está entrando para a lista dos desejados já, e pelo jeito mais um autor vai entrar pra lista dos favoritos.

    Beijos.
    Leituras da Paty

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  7. Dani estou abismado por nao ter escutado falar desse livro ainda! Pela sua resenha e pela entrevista com o autor no final da mesma, me parece ser um livro incrivelmente fantástico! Esse com toda certeza vou ler!
    Abraços
    Claudinei Barbosa

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  8. Oii tudo bem?
    Eu gosto de ação, mas não consigo imaginar o Rio assim
    destruído pela guerra e tals, mas infelizmente é algo que eu acredito
    acontecer, não agora... mas daqui anos sabe '-'
    Ele ja está na minha lista <3

    Beijos
    http://lendocomaolly.blogspot.com

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  9. Oi,
    Tudo bem?
    Gosto muito de livros assim, que tentamos imagina um filme, é tão bom a sensação não é menso? Mas a leitura é um pouco além de uma imaginação real, pelo menos pra mim, mesmo gostando de livro com ação e emoção, não consegui imagina tais cenas.
    Bom é uma leitura que já anotei aqui pra quem sabe no final do ano.
    Beijos

    Mari - Stories And Advice

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  10. Infelizmente o livro não faz meu gênero. Prefiro livros de época e que passam pela atualidade do que os que viajam no futuro, mesmo que ele não seja tão distante.

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