sábado, 30 de novembro de 2013

Gente Grande - Conto "O Chorinho"

A coluna Gente Grande começa hoje com uma homenagem ao meu avô Antônio de Souza Gonçalves.

Autor de vários contos, nos quais estou organizando para publicação, o vovô Gonçalves - Tio Gonça, como gostava de ser chamado - me mostrou que qualquer situação pode virar uma história. Em 2015 ele faria 100 anos.

Vô, saudades!!!

O Chorinho

 

História escrita por Daniele Cabral Gonçalves Quaranta

 
Eram 5 horas da tarde quando Roberval desembarcou na Rodoviária Novo Rio, no Rio de Janeiro. Sem conhecer a cidade pegou informação no balcão no saguão da rodoviária e caminhou até o terminal atrás onde ficam os ônibus que levam para os bairros. Gostaria de se hospedar em Copacabana. Bairro que desde pequeno escutava as pessoas falando que era o local para um turista que fosse ao Rio de Janeiro conhecer.

Roberval era um caboclo pacato, tinha um sítio de dois quartos, uma cozinha e uma pequena sala de estar onde o banheiro se localizava. No quintal muitas árvores de frutas, uma horta e uma vaquinha, a Estrela, que lhe dava leite suficiente para uma pequena produção de queijo. Seu sítio ficava na localidade de São João da Serra, no município de Santos Dumont em Minas Gerais.

Apesar da pequena distancia, 180 km, Roberval não conhecia o Rio de Janeiro.

Roberval foi orientado a pegar o ônibus do metrô que deixaria ele no Largo do Machado, local lindo, uma grande praça com uma igreja em um lado e um cinema noutro. Dirigiu-se para o metrô e foi sentido Siqueira Campos, não poderia esquecer esse nome, nos seus estudos em Santos Dumont, no primário (como era conhecido ensino fundamental), ficou sabendo que esse era o nome de um soldado que foi, junto com outros soldados, marchando e protestando do forte de Copacabana pela praia. Na altura de onde é a Avenida Siqueira Campos, em Copacabana, esses soldados foram recebidos a tiros pelas forças do governo, episódio conhecido como os “18 do forte”. Siqueira Campos teria sido o único a sobreviver.

Depois de descer na estação Siqueira Campos, Roberval pediu informação de como chegar à praia pois ver o mar seria muito mais importante que chegar ao albergue que havia reservado. Não tinha dinheiro para ficar em hotel.

Tirou os sapatos, depois a camisa, entrou de calça e tudo, uma festa.

Depois de se recompor procurou o albergue, queria descançar um pouco para depois comer, pois desde que saiu de Santos Dumont não havia comido nada.

Tomou um banho frio, calor demais, pediu novamente informação de onde comer – tem uma pizzaria aqui perto que ainda deve estar aberta – disse o recepcionista do albergue, já se passaram das 21 horas.

Entrou na pizzaria, viu uma placa bem grande onde havia uma promoção 2 fatias de pizza e 1 refrigerante a 10 reais.

- É esse mesmo - disse Roberval à caixa - tem qual sabor?

- Calabresa, mozarela e a com o nome da pizzaria (uma espécie de portuguesa, presunto, ovo, tomate, azeitona preta).

- Com o nome da pizzaria, por favor, pediu dando o dinheiro para a caixa.

- Maria, ainda tem aquela com o nome da pizzaria? - gritou a caixa a moça que estava no balcão.

- Tem só para mais um pedido, pois só tem 3 fatias.

- Então coloca aqui para o moço – virando-se para Roberval a caixa perguntou – qual refrigerante?

- Guaraná, com gelo, por favor.

Assim a caixa pediu para a moça do balcão.

Maria, aquela moça do balcão pegou o prato e abrindo as portas do balcão colocou as duas fatias, colocou na bandeja junto com o copo de refrigerante.

Ao ver que sobrou na bandeja somente uma fatia, e vendo que a loja estava por fechar, Roberval na sua simplicidade falou baixinho para a moça – não pode colocar esse chorinho aí, é que eu estou com fome.

A moça abriu um sorriso e balançou a cabeça como se concordasse com a situação. Roberval estava feliz, comeria 3 fatias de pizza.

Ao inclinar-se com o prato a moça colocou 3 azeitonas e disse:

- Aí está!

Roberval ficou alguns segundos olhando para o rosto da moça sem reação alguma. Não conseguia entender o porquê daquelas azeitonas.

- Mais alguma coisa senhor?

Roberval pegou a bandeja do seu lanche, balançando a cabeça em sinal de negação, e sentou-se em uma pequena mesa na entrada da pizzaria.

Cada pedaço que cortava olhava para o balcão vendo aquela pequena fatia de pizza e pensava que certamente seria jogado fora.

Depois de acabar de comer ficou pensando na situação e começou a rir - será que o pessoal aqui do Rio não sabe o que é o chorinho?

Bem, pensou, na próxima vou ser mais específico.

12 comentários:

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  2. Muito bom kkkk.
    Se fosse comigo também pensaria o mesmo, ou até outra coisa
    como sachê ou gelo.
    Se avô está de parabéns, espero ler mais contos deles,
    bjs

    http://www.loveebookss.com.br/

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  3. Oi Dani, gostei do conto e com certeza organizar tudo que seu avô escreveu e publicar será uma linda homenagem a ele, parabéns pela iniciativa.

    bjs
    Tânia Bueno
    http://facesdaleiturataniabueno.blogspot.com.br

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  4. Cheguei ao seu blog e fiquei entusiasmado, pois foi feito com muita graça, e com muito entusiasmo.
    Gostei do que vi e li, e achei um blog fantástico, onde se aprende muito.
    Sou António Batalha, do blog Peregrino E Servo, se me der a honra de o visitar ficarei grato.
    PS. Se desejar faça parte dos meus amigos virtuais,decerto que irei retribuir,
    seguindo e divulgando seu blog.
    Desejo-lhe muita saúde muita paz e grande felicidade, e também um Feliz-Natal.

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  5. Oie!

    Gostei da sua ação em publicar os contos do seu avô.

    Bj!

    http://meuhobbyliterario.blogspot.com.br/

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  6. hahahahah que interessante, gostei, muito legal !!!

    Abraços

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  7. Ai que lindo vc publicar um conto de sua Avó!

    Muito Legal!!

    BEIJÃO

    PS:Resenha: Divergente - Divergente - Livro 1 - Veronica Roth
    http://overdoselite.blogspot.com.br/2013/12/resenha-divergente-divergente-livro-1.html
    Passa lá e comenta! Retribuo a visita! Beijos

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  8. Hahahhaa! Super simples o 'causo', e mesmo assim divertido! Seu vô deve ter sido uma pessoa muito interessante, vendo uma história em cada canto! E você parece ter pego muito disso dele, pelo conto que escreveu, parabéns! Adorei o conto e a homenagem!

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  9. Poxa, achei muito legal você ter feito essa homenagem a ele!
    Parabéns para ambos :D

    Beijos,
    Le Lançanova
    Palácio de Livros

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  10. Nossa que homenagem linda!
    Adorei ler, me diverti muito...hehehehe
    Quero ter a oportunidade de ler mais!
    Beijinhos

    As Leituras da Mila

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  11. Bom, eu nunca tinha ouvido a palavra "chorinho" nesse sentido... rs... Adorei o conto, mas quando ele entrou no mar antes de deixar as coisas no albergue só fiquei imaginando que ele ia chegar no albergue sem nada, né? hehe...

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  12. Oi Dani. Lindo você ter feito isso para o seu avô, fiquei emocionada já com isso na primeira linha do post. Espero que dê certo sobre a publicação.
    Beijos e boas leituras!

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